Frustração e depressão na área acadêmica

frustração na área acadêmica

“Bem-vindo a Frustração! Não permaneça muito tempo!” (tradução livre.)

Olá!

Hoje o post será mais de desabafo do que de dicas quentíssimas! Falarei um pouco sobre a frustração na área acadêmica.

Esse é um assunto delicado de falar, quase um tabu! Por que? Porque parece que não podemos falar sobre isso, ou melhor, não podemos nos sentir frustrados, ou não podemos expressar nossos sentimentos de tristeza, frustração, raiva, impotência e depressão enquanto alunos e/ou professores. Temos que ser produtivos, demonstrar objetividade e foco o tempo todo e esboçar um sorriso na cara sempre, mesmo que esse seja amarelo.

Ultimamente, algumas pessoas que passaram (e passam) por dificuldades nos seus mestrados e doutorados têm colocado a “boca no trombone” e divulgado suas experiências de frustração e depressão durante e/ou depois do término de anos a fio dedicado aos estudos. Uma publicação em particular (pode ser visto aqui) me chamou atenção. Me identifiquei com ela, porque durante o mestrado eu desenvolvi bruxismo, tinha dores de cabeça fortíssimas e minha insônia atingiu níveis que antes não tinha atingido (até eu entrar no doutorado! Mas, chegarei lá!). Sintomas de puro estresse!

Ao final do mestrado, eu estava só o pó: muito cansada, frustrada com a vida acadêmica, sem perspectivas de vida… Brinco (falando sério) que mestrado gera traumas, e gera mesmo! Amei minha pesquisa, amo os bichos e a teoria que estudei até hoje (libelulinhas e Seleção Sexual), mas isso não impediu minha frustração de lidar com o ego de alguns pesquisadores da área e colegas de curso, da competição ferrenha, da inveja velada (e às vezes, descarada!), das puxadas de tapete de pessoas que você achava que eram legais, da falta de incentivo e apoio do governo para pesquisas de base, e das perguntas constantes de quem não passa por isso e adora julgar, como “mas, você só estuda?”, “mas, para quê que serve sua pesquisa?”. Me frustrei porque somos muito exigidos e pouco amparados! Eu tive (e tenho até hoje!) muita sorte de ter uma orientadora maravilhosa, quase uma mãe, no mestrado. Se desse jeito já foi frustrante, imagina com orientadores com uma personalidade mais difícil, né? Fiquei cinco anos afastada da área acadêmica, até decidir voltar em uma nova área de conhecimento, a Economia.

Continuando com o depoimento da Adriana Vieira, ela menciona um trabalho na Nature, publicado em 2012, que relata os sintomas de estudantes em depressão na pós-graduação: dificuldade de concentração, incapacidade de assistir a aulas ou fazer pesquisas, falta de motivação, aumento da irritabilidade, insônia ou sono não reparador, falta de apetite e energia e introspecção social. Acho que foi um dos primeiros artigos relacionados a depressão na área acadêmica que vi publicado em uma revista de ampla distribuição internacional.

Além desses sintomas, existem duas síndromes que também estão presentes na nossa área: síndrome de bournout e do impostor. A primeira relacionada ao estresse e à depressão e a segunda à sensação que nos torna incapazes de acreditar em nós mesmos durante esse período de vida.

No meio do doutorado me deparei com a síndrome do impostor, além de ter tido estafa mental, de cultivar uma insônia (quase que) diária, de ter outras dores ocasionadas ou agravadas pelo estresse, de me ver desmotivada em alguns momentos, de ficar irritada sem saber o porquê e de ter perdido o apetite em muitos momentos. Conversando com amigos que também escolheram o caminho acadêmico, TODOS passaram (e ainda passam) por essas crises e síndromes latentes. Alguns desenvolveram depressão e largaram o doutorado ou deram um tempo; outros, mesmo com a síndrome do impostor, terminaram, mas com consequências psicológicas.

Tenho certeza que 99% (para não falar 100%) dos alunos de pós-graduação stricto sensu têm, ou desenvolverá, algum distúrbio psicológico. É frustrante você ter que dedicar sua vida durante, pelo menos, seis anos de exclusividade (mestrado + doutorado = 2 +4), lutando para sobreviver (sim, sobreviver e não viver!) com uma bolsa de pós-graduação, sem poder e/ou conseguir trabalhar durante o processo, e ainda ouvir “Mas, você só estuda?”, “sua pesquisa vai mudar o que na minha vida?”,  “não deveria reclamar, estou pagando sua bolsa! (como contribuinte)”, e por aí vai… E o mais frustrante é você se sentir um “alien” por expor isso de vez em quando, pois isso é visto como sinal de fraqueza, de exposição (desnecessária, para muitos) ou tabu!

Eu disse para uns amigos essa semana que mesmo sabendo como seria, que seria difícil “viver” com bolsa, que o caminho seria hard, ainda assim é frustrante! Porque o caminho não é linear, existem curvas e pedras no caminho, como perdas de familiares e pessoas queridas, e temos que nos manter em pé e sanidade mental para lidar com o alto grau de exigência.

Mas, como a Adriana disse em seu depoimento, existe luz no fim do túnel. Apesar de a frustração poder levar à depressão, cabe a você querer mudar! Procurar ajuda de especialistas e a ajuda e o apoio de amigos próximos, familiares é imprescindível nesse momento! Se amar, se perdoar, e fazer o que gosta e uma atividade leve, como o crochê para a Adriana (e para mim também! E também aprendi com minha mamis!), podem ajudar a superar momentos de paralisação, falta de motivação e frustração.

Dentre as minhas atividades leves estão: a natação e a malhação constante, o crochê e cozinhar doces! Essas me salvam, me mantém em pé e com uma leve sanidade para seguir e continuar. Eu gosto da pesquisa, acredito que essa seja a minha área! Porém, infelizmente, é uma das áreas com muito pouco incentivo para quem quer segui-la no Brasil.

Espero o depoimento e o compartilhamento de ideias e experiências de vocês! 🙂

Muito grata!

 

 

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